O Medo em suas diversas dimensões

Toda pessoa ansiosa costuma dizer que tem muitas coisas para fazer. No mundo atual, todos temos! Mas, preocupar-se demais nãoPode-se afirmar que os problemas individuais – pessoais e profissionais – de relacionamentos, e até sociais, na raiz de todos eles, nós encontramos o medo e seus derivados. Observe aquela pessoa que sabe muito bem como melhorar a situação que se encontra, mesmo assim, não se move, não muda, não avança…

Medo! O medo deve nos servir para a proteção instintiva e natural, ponto. Ao subestimar suas armadilhas, ao ser estimulado, alimentado e instrumentalizado, o medo leva ao pânico, neuroses, fobias, paralisação emocional, frieza, violência, acomodação, conformação, estagnação, doenças físicas; o medo consegue imobilizar o indivíduo e a sociedade. Alimenta-se aquela contínua insegurança, de satisfações duvidosas… Quem se utiliza do medo nas escolhas e decisões geralmente opta pelo “mais fácil”, “mais cômodo”, o “menos arriscado”. Ninguém nasce com medo (doentio), ele se fixa via aprendizagem cultural, aceito e estimulado inconscientemente (talvez), pela própria pessoa e por outros agentes: familiares, amigos, professores, religião etc.

Óbvio que, ao soltar as rédeas do medo, você puxa automaticamente as rédeas da coragem (polos opostos). “Coragem é a resistência e a dominação do medo, não a falta de medo”, disse assertivamente o escritor norte-americano Mark Twain (1835 – 1910). Infelizmente o mais fácil está em aceitar e conviver com o medo, pode-se dizer que é uma espécie de tragédia assistida. Um exemplo social típico: a sociedade que teme seus políticos (governo) instiga a coragem para eles (políticos – governo) distorcerem os seus papéis. E quando se aceita o medo como normalidade, simplesmente ele passa a dominar, impõe timidez e rigidez. A boa vibração da vida, sua liberdade e sua melhor lucidez, perde o sentido, seu brilho, diante da imposição do medo e seus derivados.

Reflita: não dirigir um veículo é mais fácil do que dirigir, certo? Neste caso, optou-se, ou encolheu-se, na acomodação de ser um passageiro, talvez para sempre. Por este comportamento (vibração), não se percebe um foco mais ousado e saudável; não se dispõe da boa energia, imaginação ou vontade, ignora-se o prazer em dirigir! Então o medo encontrou satisfação/alimentação (não houve oposição emocional, resistência inteligente). Houve inibição sutil causada por padrões internos, inibidores de capacidades e possibilidades. Para piorar, pode ainda existir desmotivações, tipo: “melhor eu não dirigir porque alguém sempre dirigirá por mim; pelo menos eu não mato ninguém atropelado; pelo menos eu não gasto dinheiro com combustível ou estacionamento; pelo menos eu não tenho preocupações com a manutenção veicular; eu não corro o risco de bater ou de baterem em mim no trânsito etc.” É o medo (insegurança) acionando o pessimismo, a imobilização, dúvidas aprisionadoras!

O medo é o ladrão que assalta suas energias (sua vitalidade), entregando-as aos teus adversários. Faça uma boa reflexão com os teus “adversários”, descobrirá que 90% deles, são: irreais, imaginários, leituras distorcidas, configurações mentais ingênuas. As energias do medo funcionam como parasitas de suas habilidades, de seus potenciais, impossibilita você de avançar, de mudar, de sonhar sonhos melhores, de agir assertivamente. Observe a lição dada pelos pássaros: ao deixarem o ninho, sem qualquer experiência de voo, os filhotes apenas confiam na própria coragem/capacidade de voar! Eles frequentaram alguma escola? Não! Os filhotes não se paralisam na hipótese do “não voar”, são surdos diante do negativismo, não alimentam ideias ou pensamentos desestimulantes.

Conserve seu medo – Mas sempre ficando sem medo de nada

E o medo pode ser reduzido, estabilizado, encontrando-se um ponto de menor tensão diante dos desafios em questão. Mas o medo precisa ser gradualmente compreendido, enfrentado, reinterpretado sistematicamente com ensaios imaginários ou experiências. O objetivo é se reequilibrar diante do que encara ser “perigoso”, dessensibilizando o gatilho causador dos temores exagerados, aflições e ansiedades.

E o medo pode ser reduzido, estabilizado, encontrando-se um ponto de menor tensão diante dos desafios em questão. Mas o medo precisa ser gradualmente compreendido, enfrentado, reinterpretado sistematicamente com ensaios imaginários ou experiências. O objetivo é se reequilibrar diante Outro exemplo: pavor de andar de avião! Sem intervenção química a pessoa pode sim enfrentar sistematicamente tal medo, talvez buscando se familiarizar com os aeroportos, aeronaves, conversar com pessoas que diariamente lidam com aviões, a rotina, tecnologias atuais (radares, equipes de voo, mecânica, pessoal de apoio etc.). A intenção é “desarmar” gradativamente o drama inconsciente, criando condições neurais para que a pessoa torne-se menos “arredia”, ou sensível diante da hipótese de voar. O pavor de andar de avião atrapalha e muito, hoje o transporte aéreo está bem acessível, vantajoso diante de outros meios, além de ser o mais seguro, por incrível que pareça.

Sem sombra de dúvidas: o medo patológico pode ser superado, vencido; se não na totalidade, torná-lo suportável. A pessoa precisa estar disposta a rever o seu mapa mental, a desligar seu “piloto automático”, seu modo convencional de encarar ou disparar defesas psicológicas ou físicas diante do que não é normal sentir medo. Responda: qual a lógica racional de tanto medo?! É necessário reconhecer e compreender a distorção que leva ao pânico irracional. Aceitar um novo olhar, uma nova ótica, já é um grande avanço, começar a admitir os exageros.

Concluindo: limita-se a qualidade de vida ao abrigar-se no medo. O medo nos rouba mais do que oportunidades, ele nos tira prazeres, sonhos também. Tal limite imaginário precisa ser ultrapassado, conscientemente enfrentado, desafiando-se com o apoio certo. E quem não sabe ajudar, se insistir acabará piorando ainda mais as coisas. O processo de mudanças necessárias envolve a cognição, o comportamental e o emocional. Vale lembrar a provocação popular: “vá em frente… Se der medo, vai com medo mesmo!” Ou seja, faça o seu medo ter medo de você! Experimente também as vibrações da escritora Clarice Lispector (1920 – 1977), ao dizer: “eu tenho medos bobos e coragens absurdas”.

  • Adaptação do Texto: Geferson Oliveira
  • Autor: Alexandre Arrenius Elias
  • Psicoterapia para a Felicidade
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Geferson Oliveira

Músico, Administrador de Empresas, amante da Cultura e cozinheiro nas horas vagas. A pior prisão é a do preconceito! Pessoas normais me assustam! Cria Curvos Y Te Sacarán Los Ojos!

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